15.8.14

A pregação do Evangelho é apenas a semeadura


É uma visão agradável ver os milhares reunidos para o culto a Deus, mas é lamentável  refletir quantas vezes a reverência que é exibida no santuário é perdida quando o início é  passado. Com que frequência o discurso mais sério do pregador é esquecido e torna-se  como “a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada”. Nós muito frequentemente  vamos até a Casa de Deus e imaginamos que fizemos o nosso dever quando já  passamos pela rodada do serviço – autosatisfeitos, nós voltamos cada um para sua casa. Oh que lembrássemos que a pregação do Evangelho é apenas a semeadura! A colheita  deve vir depois. Hoje nós, por assim dizer, lançamos a primeira pedra de um edifício. E  daí em diante esse edifício deve ser construído, pedra por pedra, através de sua prática  diária, até que finalmente a pedra de topo seja trazida com brados de alegria e júbilo. Bem  disse a mulher Escocesa, quando o marido perguntou-lhe, em seu retorno da Casa de  Deus, mais cedo do que o habitual: “Esposa, o sermão todo já finalizou?” “Não, Donald”,  disse ela. “Foi todo dito, mas não começou a ser praticado”. Havia sabedoria em sua fala concisa – uma sabedoria que nós também frequentemente esquecemos.

Trecho do Sermão Nº 238 (Reforma) - C. H Spurgeon.

8.8.14

15 Frases Matadoras de Richard Baxter


A morte perde metade de suas armas quando negamos em primeiro lugar os prazeres e interesses da carne.

Mate o pecado antes que ele o mate.

A cruz precisa ser carregada; não temos liberdade de passar por cima dela ou de evitá-la.

O céu pagará qualquer prejuízo que possamos sofrer para ganhá-lo; mas nada pode pagar o prejuízo de perdê-lo.

Em nada, a não ser no céu, vale a pena colocar nosso coração.

A ignorância é sua enfermidade; o conhecimento deve ser sua cura.

Cuide para que o dia do Senhor seja usado em santa preparação para a eternidade.

Rejeitar o estudo sob o pretexto da suficiência do Espírito é rejeitar a própria Escritura.

Tocamos em poucas coisas, mas deixamos sempre as impressões digitais.

Somos as maiores armadilhas para nós mesmos.

Esta vida não foi feita para ser o lugar de nossa perfeição, mas de nossa preparação para ela.

Se conseguirmos pregar somente Cristo para nosso povo, teremos pregado tudo a eles.

Não gaste seu tempo em nada de que venha a se arrepender mais tarde; em nada acerca de que não possa orar pedindo a bênção de Deus; em nada que você não consiga recordar com uma consciência tranquila em seu leito de morte; em nada em que você não possa ser encontrado a fazer, com toda segurança e propriedade, se a morte o surpreender no ato.

As famílias cristãs devem ser as principais preservadoras do interesse pela verdadeira religião neste mundo.

Em nosso primeiro paraíso, o Éden, havia um caminho de saída, mas não havia forma de entrar de novo. Mas, quanto ao paraíso celestial, há um caminho de entrada, mas não há forma de sair de novo.

Richard Baxter

28.7.14

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27.7.14

JESUS CRISTO PERDOA, E VOCÊ?


JESUS CRISTO PERDOA, E VOCÊ?

Raniere Menezes

Nunca se entra em contato tão íntimo com o oceano do amor de Deus
como quando se perdoa e ama seus inimigos.
Corrie Ten Boom

Falar em perdão é mais fácil que perdoar, mas o Senhor quer ambas as coisas, que falemos sobre essa virtude e que perdoemos na prática. Perdoar é algo belo, nobre e muito agradável de conversar numa comunhão santa entre irmãos, principalmente quando estamos citando exemplos de perdão de outros, contudo quando a coisa é com a gente tendemos a suspirar e gemer, como é difícil!

A Bíblia é cheia de exemplos de perdão, vale destacar aqui o perdão de um senhor de escravos a um escravo rebelde e fugitivo chamado Onésimo, escravo de Filemom. Esta história está registrada na Carta do apóstolo Paulo a Filemom.

Quem era Filemom? Este homem era um morador da cidade de Colosso, convertido a Cristo pela pregação do apóstolo Paulo, considerado seu Pai na fé. Era um cristão rico e mantinha uma igreja reunida em sua casa. Na época, tanto ser um senhor de escravos era legítimo quanto ter uma igreja doméstica, algo comum na Igreja Primitiva.

Quem era Onésimo? Como já foi dito, era um escravo de Filemom, mas também convertido pela pregação de Paulo, evangelizado e batizado em Roma. Local de sua fuga e provável prisão. Outro filho na fé do apóstolo aos gentios, companheiro de sofrimento na prisão, o qual "foi gerado nas minhas prisões", escreveu Paulo. Onésimo além de fugir da casa de Filemom ainda furtou bens materiais do seu senhor, prejuízo o qual o apóstolo Paulo se dispôs a pagar.

A pena para o crime de Onésimo era a morte por ser fugitivo e também por ter sido ladrão, porém Paulo intercedeu pela vida do escravo. Por causa de sua conversão genuína, Paulo pede que Filemom receba o servo de volta como um irmão, como se fosse o próprio Paulo -- "Recebe-o como a mim mesmo", diz Paulo. Se somos um só corpo em Cristo o perdão a outro é como perdoar a si mesmo. -- Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. Romanos 12:5-6. -- Estanho isso, não? Não. Perdoar um inimigo é algo nobre, mas perdoar um irmão (cristão) é como se estivéssemos perdoando a nós mesmos, é uma resposta afetiva ao próximo, como se colocar no lugar da outra pessoa:

Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado. -- Gálatas 6:1

A Carta de Paulo a Filemom é uma carta de amigo para amigo, de irmão para irmão. É uma Carta que defende a causa de um escravo criminoso. Paulo como apóstolo podia usar de sua autoridade  para que Filemon recebesse Onésimo sem puni-lo, pois seria uma ordem para fazer o que era correto, mas Paulo usa a força do amor, da piedade e compaixão que deve haver entre os irmãos em Cristo para pedir a Filemon que perdoasse seu escravo fugitivo. Esta carta é um nobre exemplo de amor cristão, algo belo e nobre de se conhecer, mas colocar em prática e ignorar as ofensas é um processo doloroso. Não deve ter sido diferente para Filemom, porém um grande testemunho certamente.

Filemom possuía uma queixa legitima contra Onésimo, mas como a Palavra de Deus quebra muitos de nossos paradigmas mundanos, temos que ouvir e atender a voz do Espírito Santo que diz: Se você tem alguma queixa contra alguém, perdoe como o Senhor te perdoou. E a chave para abrir o nosso entendimento é a Cruz de Cristo. Lembre-se, assim como o Senhor te perdoou você deve perdoar os outros. Simples assim:

Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou vocês em Cristo. - Efésios 4:32.

Matthew Henry comentando Colossenses 3.13: Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. -- Resume que o cristão não deve apenas não cometer nenhum dano ou prejudicar o próximo, mas fazer o bem que puder fazer, a todos. Os escolhidos de Deus devem praticar a humildade e compaixão para com todos.

Vivemos num mundo terrível de corrupções tanto externamente, o mundo do lado de fora, que enxergamos, o nosso dia-a-dia, quanto em nosso mundo interno, em nossos corações. O que mais vemos ao nosso redor são brigas e confusões, e muitas vezes podemos estar inseridos nelas. Nessas situações o melhor a fazer é pedir a Deus que a sua paz domine nossos corações, que não sejamos impulsionados pela ira, rancor e amargura. Numa ira, não adiantará muito respirar mil vezes antes de falar se o coração não estiver em paz com Deus. -- Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. Gálatas 6:2.

O Espírito Santo nos orienta e conduz a SUPORTAR.  Suportar é aguentar, resistir; tolerar. Como colunas que suportam um edifício. Suportar vem do latim SUPPORTARE, "carregar, transportar." "SUP" significa "SUB", "abaixo" e "PORTARE", "levar, carregar." A ideia é colocar-se abaixo de uma carga para apoiar. Algo sofrido, que não é fácil mas que Deus nos dá a capacidade de carregar e suportar. Como ensina Provérbios 19.11:

A sabedoria do homem lhe dá paciência; sua glória é ignorar as ofensas.

Esse SUPORTAR muitas vezes é cansativo, dolorido, sofrido, como já foi dito. Mas nosso modelo do homem perfeito é Cristo que SUPORTOU com longanimidade todos que lhe queriam e fizeram o mal. A LONGANIMIDADE é um ânimo prolongado, perseverante em um propósito paciente. A longanimidade é algo que se pratica em silêncio, sem murmuração. Cristo nos suportou e nos suporta com paciência e misericórdia. PERDOAR é graça!  Se alguém tem alguma queixa contra alguém, lembremos-nos da história de Filemon e Onésimo e das misericórdias do Senhor, que são as causas de não sermos consumidos pela Ira de Deus. -- Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo. Tiago 2:13.

SUPORTAR uns aos outros é levar as cargas uns dos outros, suportar a fraqueza dos outros, perdoar-nos mutuamente de todas as falhas, delitos, e orando para Deus perdoá-los, assim como Cristo nos perdoou. NÓS CAUSAMOS TODOS OS FERIMENTOS EM CRISTO JESUS NAQUELA CRUZ, e ele nos perdoou desses ferimentos que fizemos nele. Nosso Senhor suportou toda vergonha e zombaria em nosso lugar, e foi condenado em nosso lugar! Perdoar nosso próximo é algo não tão pesado quando meditado aos pés da cruz. Nossa religião é a dos perdoados e dos perdoadores. A cruz é o preço do nosso perdão. Como disse D. Martyn Lloyd-Jones: "Se realmente conhecemos a Cristo como nosso Salvador, os nossos corações são quebrantados, não podem ser duros, e não podemos negar o perdão".

Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mateus 6:14



23.7.14

EVANGELHO E WEB 2.0 (OU 3.0)


EVANGELHO E WEB 2.0 (OU 3.0)
PONTUANDO BREVEMENTE O POTENCIAL DA DIFUSÃO TEOLÓGICA EM PERSPECTIVA ATUAL  DO CONHECIMENTO ABERTO

Raniere Menezes

A Internet (e mídias digitais) evolui tão rapidamente que é controverso tentar defini-la como 2.0, este termo é popularizado desde 2004, quando se descreveu sobre os usuários da segunda geração do WWW. É algo associado ao conceito de troca de informações e colaborações dos usuários da Rede. Alguns já usam o termo Web 3.0, como uma existente terceira geração da Internet por causa do maior conhecimento de navegação dos internautas e também por causa da mobilidade, é possível acessar a Internet na palma da mão em qualquer lugar e hora.  Acredito que a maioria dos usuários comuns ainda estão na Web 2.0, onde o Google, You Tube e Facebook predominam na navegação. Talvez estejamos numa Web 2.5 para ninguém brigar.

A produção de conhecimento e informações através da Internet cresce de modo absurdo e o grande desafio para todas as áreas do conhecimento é o que fazer com tanta informação? Como filtrar montanhas e montanhas de informações? A palavra do dia é "gestão de conhecimento". Imagine que exista uma livraria do tamanho da Rússia e que somente sua vitrine dos lançamentos fosse do tamanho da Grande Muralha chinesa e ainda exista mesas e mais mesas com os livros mais vendidos com a dimensão  do Brasil. Ainda faltam as prateleiras, que cobrem todo território citado, como pesquisar livro por livro? Quando falamos em produção de informação no ciberespaço a complexidade é muito maior que a nossa livraria russa.

A Web 2.0 é uma explosão e a conectividade e interatividade estão crescendo na mesma velocidade. E a Igreja está inserida dentro dessa transformação e submersa numa espécie de caos teológicos, nunca se viu tanta loucura gospel como hoje. Isso significa que, com tamanho fluxo de informações e novas formações de conexões e compartilhamentos com outras pessoas e conhecimentos, é impossível adquirirmos toda a quantidade de informação disponível em determinada área.

Os maiores difusores tradicionais da educação teológica da modernidade e pós-modernidade até então foram os seminários de teologia.  A palavra "seminário" vem do latim "seminariu", que origina e significa "sementeira; viveiro de plantas onde se fazem as sementeiras." A ideia era de que o "seminarista" ficasse separado sob cuidados especiais e protegido durante o tempo de sua formação teológica. Esse conceito era válido igualmente para católicos romanos e protestantes. Para os católicos a ideia era proteger os seminaristas das heresias protestantes, e vice e versa. Hoje, com o conhecimento aberto e a grande expansão de informações, a aplicação etimológica não faz tanto sentido, e na prática a difusão teológica deve se adaptar a esta realidade ainda indefinida e dinâmica. Dificilmente se encontra hoje uma unanimidade PRÁTICA  eclesiológica e missiológica dentro de uma denominação, em parte resultado da ampla oferta de cosmovisões. Essa fragmentação de realizações diferenciadas é um fato em todas as denominações cristãs. Geralmente há uma maior aceitação e tolerância de uma certa liberdade de atuação. Se isso compromete alguns princípios básicos da fé cristã, é outro assunto que merece ser tratado a parte.

Voltando a nossa ideia central, a visão de instruir as massas populares foi enfatizada de maneira peculiar no ambiente da Reforma Protestante no século XVI.  A teologia não deveria ser mais contida em poucos e restritos lugares, mas houve uma larga expansão aos mais diferentes contextos geográficos. Assim nasceu a ideia da Academia de Genebra, na Suíça, com Calvino, para citar um exemplo embrionário. Genebra tornou-se um centro educacional de preparação teológica como um trampolim para alcançar as regiões mais distantes. Muitos crentes vocacionados e perseguidos pela Contra-Reforma buscavam refúgio e preparação na Academia.

A contribuição da Academia de Genebra foi fantástica. Ela se transformou num centro de difusão teológica  estratégica formando centenas de pessoas de diversas nacionalidades. Esta visão inicial da Reforma em promover formação teológica para propagação do Evangelho é fundamental  para a expansão missionária da fé cristã hoje, tanto quanto no contexto da Reforma. Atualmente, com a Internet devemos manter a mesma visão e espalhar os princípios da Reforma. Cada vez mais haverá menos necessidade do estudante sair de sua região para se preparar e então voltar e espalhar o Evangelho como missionário. É preciso descentralizar nesse sentido de aprendizagem. Se Genebra já foi um centro missionário, podemos imaginar hoje que pode haver milhares de Academias em cada localidade geográfica por causa das ferramentas de comunicação que temos.

Muito tem se falado sobre o conhecimento distribuído após o início da Era Digital que vivemos. Somos estudantes do século XXI e as aquisições de conhecimento e informações estão ligadas diretamente a vida do dia-a-dia para quem faz uso de recursos tecnológicos disponíveis e cada vez mais acessível e de uso fácil e intuitivo.  Com o avanço dos mecanismos de buscas e filtragens a aprendizagem avançará mais ainda. Acredito que estamos vivendo hoje muito mais uma fase de fomentação teológica e que posteriormente virão os ajustes que não surgirão de vias tradicionais, nos moldes dos seminários presenciais em sua perspectiva institucional de ensino. Em certa escala isso já está acontecendo.

George Siemens, um autor canadense que trata sobre aprendizagem e era digital,  resumiu bem sobre esse contexto que estamos vivendo na troca de informações, ele diz que "a tecnologia reorganizou o modo como vivemos, como nos comunicamos e como aprendemos." A aprendizagem informal só tende a crescer, é um processo dinâmico e complexo, que já está acontecendo e é irreversível. Isso é fato, a mudança na aprendizagem mudou, e é preciso rever paradigmas. As novas ferramentas vão surgindo e o modo como se trabalha, se estuda, vão sendo alterados. Este é o novo ambiente do Evangelho na era digital.

Não existe nada de novo na aprendizagem fruto de conexões entre pessoas, comunidades e conteúdos. Os discípulos da Igreja Primitiva podiam reunir dezenas e centenas de pessoas para conhecer mais sobre o Evangelho e essas pessoas ao retornarem para suas comunidades  descentralizavam e distribuíam o conhecimento. Os conteúdos muitas vezes eram preservados e propagados através de manuscritos, a exemplo das Cartas Apostólicas que circulavam dinamicamente por todo mundo antigo. Havia uma rede de conexões e o conhecimento circulava por essas redes. A diferença hoje é a velocidade do compartilhamento e a des-integração, há muito mais fragmentação e caos. Nesse cenário fica mais difícil conectar o conhecimento específico e relevante. Daí a importância em termos a teologia como um sistema (também a confessionalidade, necessária). O que já faz a teologia sistemática ao longo da história. Sistema nada mais é que um conjunto de elementos relacionados entre si, também uma reunião de princípios de modo a formar um corpo de doutrina. O corpo de doutrinas cristãs ortodoxas não nasceram da noite para o dia, é fruto de muitos debates e confrontos com heresias. O nosso trabalho é garimpar e propagar.

O maior desafio é saber filtrar e compartilhar em meio ao caos. É preciso entender que não há nada de novo a ser ensinado na fé cristã, mas a mudança é relacionada ao que os teóricos da comunicação chamam de "escalabilidade da comunicação." A igreja em seu ensino-aprendizagem deve respeitar a história das doutrinas cristãs, da produção de defesas da fé ao longo do tempo. O armazenamento de informações não é uma ideia nova, as bibliotecas que o digam. O ponto hoje é como melhorar o acesso, a filtragem e compartilhamento. Usar bem as novas ferramentas disponíveis e criar outras que aumentem a colaboração e conexão das redes. Esse é o grande desafio do mundo sem fronteiras.

Se você pensa em desenvolver algum projeto de propagação do Evangelho na Internet e acha que não tem recursos necessários, lembre-se da famosa frase de Roosevelt: Faça o que pode, com o que tem, onde estiver.

***

"A tecnologia reorganizou o modo como vivemos, como nos comunicamos e como aprendemos." George Siemens






21.7.14

6 MOTIVOS DE OURO PARA ORAR


1. Para que nosso coração possa sempre estar inflamado com um contínuo e ardente desejo de buscá-lo, amá-lo e servi-lo, enquanto nos acostumamos a recorrermos somente a Ele, como uma âncora sagrada, em cada necessidade.

2. Para que nenhum desejo, não nos leve a fazer algo vergonhoso diante dele, ou para evitar que algo entre em nossas mentes, enquanto aprendemos a colocar todos os nossos desejos à sua vista e, desse modo, derramarmos nosso coração diante dele.

3. Para que possamos estar preparados a receber todos os seus benefícios com verdadeira gratidão e ação de graças, pois são nossas orações que nos fazem lembrar que elas procedem de suas mãos.

4. Para que uma vez tenhamos alcançado o que lhe pedimos nos convençamos de que ele ouviu nossos desejos, e por eles sejamos muito mais fervorosos em meditar sobre sua liberalidade.

5. Para desfrutarmos com muito mais alegria das misericórdias que nos tem feito, compreendendo que as temos alcançado mediante a oração.

6. A fim de que a prática da oração e a experiência confirmem em nós, conforme a nossa capacidade, sua providência, compreendendo que não somente promete que jamais nos faltará, que por sua própria vontade nos abre a porta para que no momento da necessidade possamos propor-lhe nossas petições e que não nos desapontará se divertindo com seu povo corri palavras vãs , prova-nos ser uma ajuda presente e real.

O próprio Senhor declara: “Próximo a todos aqueles que invocam está o Senhor, a todos aqueles que o invocam em verdade” (Sl 145,18).


João Calvino – Breve trecho de O livro de Ouro da Oração – Editora Cristã Novo Século – 2003 – Tradutor: Cláudio J.A. Rodrigues - Extraído da : Instituição da Religião Cristã – Livro Terceiro,Cap.XX – Intitulado: Da Oração. Tópico original: Seis razões principais de orar a Deus.


20.7.14

RAMIFICAÇÕES DA INFIDELIDADE OU O EFEITO DOMINÓ


Vocês se desviaram do caminho e pelo seu ensino causaram a queda de muita gente. Malaquias 2:8

O pecado começa como teia de aranha, mas torna-se uma camisa de força. -- J. C. Ryle

Quando alguém com sua boca diz que é fiel a Deus mas com suas ações é desobediente e rebelde, tudo que gira ao redor dessa pessoa sofre, corrompe-se e se degrada. Muitos dos nossos maiores prejuízos espirituais são consequências de pequenos desvios, de pequenos tropeços; a primeira pedra do dominó. Quando quebramos nossos votos a Deus, nosso relacionamento com as outras pessoas também são prejudicadas. E não adianta chorar se o coração tiver duro. Somente o arrependimento verdadeiro restaura a plena comunhão com Deus e com as pessoas ao nosso redor.

O que Deus requer de nós? Tão somente como Ele declarou ao profeta Miquéias:

Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus? Miquéias 6:8

Praticar a justiça é a base ética dos Mandamentos de Deus juntamente com a piedade, e obedecer (andar humildemente) é o único caminho seguro para que os outros relacionamentos pessoais andem bem. Aquele que não é fiel a Deus, ainda que ele seja uma pessoa exemplar e pareça um bom marido, um bom amigo, sem a fidelidade verdadeira com Deus, tudo desmorona, pois não passa de uma grande mentira e pecaminosidade. Quando dizemos que Cristo é Senhor mas não andamos em plena comunhão com ele somos mentirosos e fariseus. A convicção de pecado é em sua origem a convicção de um relacionamento errado com Deus. Não adianta chorar, não adianta chamar "Senhor, Senhor!", é o que ensina a Palavra:

E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo? -- Lucas 6:46

Como em Malaquias 2.10, muitas vezes somos como aquele povo citado, infiéis uns com os outros. E que fique claro, quando nos encontramos infiéis para com o nosso próximo é porque antes fomos infiéis para com Deus. E no contexto de Malaquias, de modo especial, os líderes religiosos, os sacerdotes, eram grandemente responsáveis pelos danos, pois eles desviavam o povo, e não podiam manter fidelidade ao povo quando já haviam quebrado seus votos a Deus. Percebe o efeito dominó?

A apostasia começa quando não se mantém na origem o temor a Deus e o amor pelos mandamentos. A consequência é que não é possível respeitar os mandamentos que se relacionam com o próximo. E esta infidelidade se ramifica atingindo todas as nossas áreas de relacionamentos, trabalho, igreja, família e sociedade. De modo especial, o campo mais prejudicado é o casamento -- as primeiras pedras do dominó. Seja através de um relacionamento condenável como casar com incrédulos, seja com a prática do divórcio, algo abominável para Deus. Cuide de sua comunhão com Deus, da adoração sincera, da fidelidade. "O temor reverente a Deus é a chave para a fidelidade em qualquer situação", como já disseram.




17.7.14

COMO CALAR A BOCA DOS INIMIGOS


Parece um tanto "não cristão" um texto que fala em calar a boca de alguém, mas é bíblico. No entanto, não é um "cala-boca" qualquer e de qualquer maneira, como um ato agressivo que triunfa a ignorância e ira. Não é isso! As analogias ligadas aos cristãos, por si só, já apontam como funciona esse "calar". Os cristãos são chamados, entre outros adjetivos, de "pedras vivas", "sal", "luz" e pelos frutos se pode conhecer a natureza.

O simples fato (que não é simples!) de andar nos caminhos do Senhor e glorificar a Deus através do Espírito Santo INCOMODA os inimigos de Cristo. O simples fato de se esforçar em santidade e boas obras já é motivo de incômodo para quem não é de Cristo. Não poucas as vezes, as pessoas que não têm comunhão com Cristo, acusam os cristãos de fazerem o mal. Mas a Palavra ensina que, apesar de sermos acusados, chegará uma hora em que eles verão nossas boas obras e glorificarão a Deus.

A consciência correta sobre o assunto é importante. Por mais que a gente se esforce para viver praticando o bem e em paz com nossos vizinhos incrédulos, sempre poderá existir algum tipo de calúnia e difamação. E que não devemos esperar justiça de pessoas injustas, lembrando que todos nós somos injustos e que dependemos totalmente da justiça de Jesus Cristo para nos aperfeiçoar. E que, apesar das injustiças, devemos continuar nos esforçando em honrar ao Senhor com nosso comportamento e atitudes. Manter uma conduta justa e piedosa diante de malfeitores não é uma tarefa fácil. Mas a Palavra ensina que as nossas boas obras glorificam a Deus e em seu tempo, calam a boca dos inimigos.

Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem. 1 Pedro 2:12

Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos. 1 Pedro 2:15

Tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo. 1 Pedro 3:16

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. Mateus 5:16-17

Lembre-se de Daniel quando seus inimigos tentavam encontrar motivos para acusações e não podiam encontrar NENHUMA corrupção nele, porque ele não era corrupto nem negligente. Cf Dn 6.4.

Paulo ensinava que devíamos ter o cuidado de fazer o que é certo, não só aos olhos de Deus, mas também aos olhos das pessoas. -- Pois zelamos do que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens. 2 Coríntios 8:21

São muitos os exemplos para que andemos honestamente e em justiça. A Palavra de Deus nos exorta todo tempo a evitar certos pecados, pois nossos desejos carnais são destrutivos. Naturalmente, quando somos ofendidos queremos "matar" a quem nos ofende. Porém, o Espírito Santo ensina a "morte do pecado"; a mortificação. -- Se teu inimigo tiver fome, dá-lhe pão para comer... porque assim lhe amontoarás brasas vivas sobre a cabeça... Pv 25.21,22. -- É constrangedor receber o bem quando se paga com o mal.

A melhor maneira de calar nossos inimigos é fazendo o bem, é viver honestamente entre os ímpios. Os cristãos antigos eram acusados de virar o mundo de cabeça para baixo, de serem subversivos, de serem contra os governantes, de serem ateus (pois não eram politeístas), de serem blasfemadores da idolatria do povo, mas eram biblicamente exortados a observar as boas obras para que calassem a boca dos inimigos e continuavam a fazer o bem.

Segundo as Palavras do Senhor:

Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Mateus 5:14

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. Mateus 5:16

As boas obras falam à vista de todas as pessoas, é como uma luz na escuridão. Os cristãos devem fazer a coisa certa primeiramente diante de Deus; aos olhos de Deus, e consequentemente, essas obras falarão por si a todos, em muitas situações. As boas obras são parte da religião professa, não toda religião, mas parte importante, tão importante que toda religiosidade falsa e hipócrita tenta se esconder atrás dessa aparência externa luminosa do Evangelho de Cristo.

A fé prática cristã tem o poder de transformar o mundo, o mesmo mundo que odeia, zomba e persegue os ensinos de Cristo. A escravidão humana era uma prática comum e legal até recentemente na história, mas de modo gradual desapareceu onde a lei cristã do amor prevaleceu -- E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também. Lucas 6:31. --  Na antiguidade, quando os pagãos abandonavam seus parentes mais próximos contaminados com alguma praga, os cristãos que cuidavam dos doentes e mortos. Quando em guerras, muitos pagãos deixavam seus mortos sem sepultura após as batalhas e os feridos a perambular pelas estradas, os discípulos de Cristo que ofereciam sepultamento digno e alívio aos sofrimentos. Todos esse exemplos faziam com que muitas pessoas não cristãs glorificassem a Deus. E este é o objetivo de fazer o bem, glorificar a Deus, não a nós. Os antigos cristãos sempre ensinaram que, embora... os discípulos devam ser vistos praticando boas obras, eles não devem praticar boas obras para serem vistos. O ser visto é uma consequência natural da luz que não pode ser escondida.



No capítulo XVI da Confissão de Westminster, parte da segunda seção, sobre as Boas Obras, diz que: "Estas boas obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são o fruto e as evidências de uma fé viva e verdadeira (Tg 2:18,22); por elas os crentes manifestam a sua gratidão (Sl 116:12,13; 1 Pe 2:9), fortalecem a sua confiança (1Jo 2:3,5; 2Pe 1:5-10), edificam os seus irmãos (2Co 9:2; Mt 5:16), adornam a profissão [de fé] do Evangelho (Tt 2:5,9-12; 1Tm 6:1), tapam a boca aos adversários (1Pe 2:15) e glorificam a Deus (1Pe 2:12; Fp 1:11; Jo 15:8). -- Então que fique bem claro que, o CALAR A BOCA dos inimigos é uma consequência natural da ação do Espírito Santo que faz com que o cristão aja em obediência a Lei de Deus, com gratidão, confiança, edificação e todas as outras coisas para a GLÓRIA DE DEUS.



Raniere Menezes

22.6.14

10 orientações infalíveis para ser um cristão mais alegre e bem humorado


O pessimista parece que anda com uma nuvem escura sobre a cabeça e vive se lamentando "ó vida, ó azar." Por onde passa transmite coisas negativas. Deus quando criou o homem, assim o fez para que também sorrisse. As melhores confissões de fé ensinam: O fim principal do homem é glorificar a Deus e alegrar-se nele. Quando temos prazer em Deus, temos verdadeira felicidade, nos mais... no mais são momentos alegres, mas que também são importantes. 

A alegria pode ser algo contagiante. A fisionomia facial do sorriso é um privilégio nosso dado pelo Criador. Do mundo empresarial ao mundo científico, hoje em dia, o aspecto do humor recebe uma atenção especial, pois existem associações importantes em relação a humor e atitudes, comportamentos, decisões e saúde.

A palavra do século é DEPRESSÃO e outras ligadas a ela. E com certeza, a depressão começa pela tristeza. O cristão nasceu para adorar a Deus e nenhuma alegria terrena se compara a alegria da adoração, ele não pode e não deve cair em depressão. A presença de Cristo na vida do crente não pode dar margem a uma tristeza prolongada. Como disse Thomas Watson: "Há tanta diferença entre as alegrias espirituais e as terrenas quanto entre um banquete saboreado e outro pintado na parede". Só em sermos gratos a Deus pelo dom da vida já é algo que nos transporta de um estado emocional para outro, mas há uma sequência de orientações que gostaria de compartilhar hoje, espero que te ajude de algum modo a refletir e tornar sua vida mais leve:

1. Não exija de você o que não tem condição de carregar. -- Nem exija dos outros também, assim como faziam os Fariseus recriminados por Jesus: Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com seu dedo querem movê-los. Mateus 23:4

Até quando você vai cobrar dos outros o que Deus te deu? Tenha paciência, faça sua parte!

2. Ame a Deus e ao teu próximo como a ti mesmo. E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Mateus 22:37

Quem é teu próximo?

3. Procure fazer algo baseado em sua vocação. - Cada um fique na vocação em que foi chamado. 1 Coríntios 7:20

Você já sabe seu talento, seu dom, sua vocação? Se não sabe descubra e viva nela!

4. Reconheça a Soberania de Deus na providência. - Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o seu entendimento é infinito. Salmos 147:5

Deus cuida até de coisas insignificantes, quanto mais de você que é imagem dele!

5. Não guarde pecado, confesse-o e se arrependa. Não fique ruminando erros do passado. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. 1 João 1:9

Não desanime porque já caiu mil vezes, levante-se e confesse seus pecados e prossiga para o alvo!

6. Não seja egoísta. - Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Isaías 58:7

Não pense que o mundo gira ao seu redor, destrone seu maior inimigo, você!

7. Procure ajudar o próximo. Não faça acepção de pessoas. - O amor não faz mal ao próximo. Rm 13.10

Já ajudou alguém hoje?

8. Perdoe quem te fez mal. - E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; Mateus 6:12

Não é fácil perdoar! Mas quem disse que era fácil?

9. Seja grato. - Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. 1 Tessalonicenses 5:18

Saiba dizer obrigado, sempre! Já agradeceu hoje?

10. Faça tudo para a glória de Deus. - Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. Romanos 11:36

Se você não fizer algo para Deus, fará para quem?

O Perigo de Tornar-se Fatigado na Batalha


O Perigo de Tornar-se Fatigado na Batalha

Maurice Roberts


Não há entre nós falta de evidências de que os bons crentes estão sofrendo de algum tipo de fadiga espiritual. Em nossa comunhão cristã, raramente o ferro afia o ferro. Muito da pregação ortodoxa carece daquele tom de convicção necessário para incuti-la nas consciências dos pecadores. Uma mansidão culposa abafa o nosso zelo. As orações dos crentes são previsíveis e monótonas. O fogo apostólico perdeu a vitalidade e parece estar se apagando. O evangelho, mesmo onde ele é realmente pregado, está vestido com as ameaçadoras roupas da polidez excessiva e da respeitabilidade. Freqüentemente, nossos sermões não passam de uma homilia gentil ou uma conversa tranqüila a respeito de bons conceitos religiosos. Lenta e imperceptivelmente, os evangélicos estão se conformando, em suas emoções e em seu intelecto, com o espírito desta época. Embora não devêssemos nos importar com o falar desta maneira, traímos nosso desespero íntimo de ver um avivamento ou mesmo uma reversão da tendência presente em direção ao declínio.

Esta fadiga de alma não é difícil de ser explicada. Um profundo desapontamento tem paralisado muitos crentes em nossos dias. Muitos dos ouvintes e dos pregadores estão desanimados. A recuperação, em alguns anos atrás, das doutrinas da ortodoxia genuína, ainda não foi conjugada com uma restauração do poder espiritual ou da influência na sociedade. O mundo ignora muitas igrejas excelentes, fazendo-o com tanto desinteresse, em nossos dias, como o fazia quando o liberalismo teológico reinava entre elas e antes que um novo ministério fundamentado nas Escrituras tivesse começado nelas. Pregadores que deveriam ser ouvidos por multidões têm se contentado com menos do que cinqüenta ouvintes. 

A visão que alguns tinham há apenas alguns anos atrás não foi compreendida. A miragem não se tornou um poço de águas. As promessas de Deus estão aparentemente em divergência com suas providências. Um desnorteamento e uma confusão vieram sobre nós. Existe um sentimento universal de que algo está errado. Enquanto isso, nós estamos envelhecendo. Existe uma indescritível concordância de que a luta está muito árdua para nós. Quando seremos capazes de nos retirarmos do cenário de batalha com, pelo menos, alguma aparência de honra?

A sonolência espiritual é muito sedutora. A atmosfera logo fica impregnada com ela. A vida de atividade e de realizações, antigamente tão notável, pouco a pouco definha, à medida que um crente após outro sucumbe ao espírito de sonolência. Assim como as criancinhas, uma após outra, cessam a sua voz em um berçário, na hora de descanso, assim também o testemunho ativo do povo de Deus se torna gradualmente silencioso em um tempo de sonolência.

A Bíblia retrata para nós tempos em que o povo de Deus atravessa um período de sonolência coletiva. A época em que Moisés nasceu foi um desses períodos. Israel havia se estabelecido no Egito. Nem mesmo a escravidão árdua retirou-lhes o amor pelo estilo de vida do Egito. Os israelitas se mostraram muito relutantes em seguir Moisés para o deserto. Eles haviam alimentado muitos sonhos mundanos e não queriam abandonar os alhos e as cebolas, em troca da perspectiva incerta de receberem a sua “Terra Prometida”. Quatrocentos anos de silêncio haviam deixado Israel muito sonolento.

Os dias dos Juízes foram outro período em que o povo de Deus ficou em ampla sonolência. Ficamos admira- dos quando lemos o Antigo Testamento e percebemos quão flagrantemente Israel desobedeceu a Palavra de Deus na época dos Juízes. Os israelitas pareciam estar cegos para os claríssimos ensinos que haviam sido entregues, em tempos bem recentes, por Moisés. Até alguns dos próprios juízes tiveram erros sérios em sua fé e em seu comportamento. “Cada um fazia o que achava mais reto.” Se exigirmos uma explicação para o estilo de vida praticado naquela época, certamente a encontraremos na ampla e quase universal sonolência espiritual.

Poderíamos ter esperado algo melhor do povo de Deus na época do Novo Testamento. Mas isto não aconteceu. Por muitos séculos, até que Lutero se levantou na Alemanha, a igreja da Europa dormia profundamente, enquanto a Bíblia, o evangelho e a graça de Deus permaneciam ocultos aos olhos do povo. Apenas em um ou outro lugar, havia um clamor de advertência proveniente de um remoto pregador italiano chamado Lollardo. Mas, em sua totalidade, a Europa dormia. Noite de trevas cobria o único continente da humanidade que deveria ter levado a tocha da verdade evangélica a todas as partes do mundo.

É importante recordar as palavras de Jesus que nos mostram, com clareza, que o último grande período da História da humanidade será novamente caracterizado por ampla sonolência espiritual — “Foram todas tomadas de sono e adormeceram” (Mt 25.5). Não somente a igreja nominal, representada pelas cinco virgens néscias, estará dormindo, quando o Noivo retornar, mas também a verdadeira igreja, embora esteja preparada, certamente estará mergulhada em cansaço e sonolência, um pouco antes que chegue o dia das bodas. 

Estas ocorrências (que não são as únicas que podemos citar) são evidências suficientes para nos recordar que uma onda de sonolência pode cair sobre grandes partes da igreja visível, em determinadas épocas. Este é um fato absoluto da História, um fato que a Palavra de Deus nos apresenta tendo em vista a nossa advertência. Sem dúvida, existem muitos que dormem nas melhores épocas do evangelho ou mesmo sob a mais ardente pregação. Sem dúvida, a sociedade, em qualquer época, tem permanecido pouco acordada para os deveres morais e espirituais da Palavra de Deus. Entre- tanto, parece evidente a lição das Escrituras ensinando-nos que algumas épocas são caracterizadas por um sono quase universal.

O sono é um fenômeno admirável; é um tipo de morte com animação. No sono, estamos mortos para o mundo real. O ladrão pode estar às nossas portas, ou o fogo pode estar começando a queimar as cortinas do nosso quarto. Mas, quando estamos adormecidos, não observamos, não sabemos, nem nos preocupamos com o que está acontecendo. Por outro lado, nos sonhos nos preocupamos com aquilo que é irreal e ilusório. Os homens fogem de animais selvagens, pulam de penhascos e navegam à procura de ilhas do tesouro. Nossa atenção é tomada por aquilo que é fictício e imaginário.

Isto também acontece com o sono que sobrevêm às almas dos homens, em épocas quando o evangelho não tem vigor. Exércitos de heresias ameaçam a igreja e o povo de Deus; mas os sentinelas da igreja caem em sonolência tão rapidamente, que nem compreendem, nem se importam com tais exércitos. Quando, em algum lugar, uma voz fiel se levanta para advertir, existe um clamor geral e uma exigência de que o silêncio seja mantido. Ou pode acontecer algum abuso escandaloso que ameaça manchar a reputação e a credibilidade da igreja. Quando, porém, o sono coloca no descanso as faculdades da alma, os homens se ressentem de questões impopulares e procuram abafar o saudável espírito de investigação. Nada é tão desagradável para um homem sonolento quanto o alarme que o convoca a sair de sua cama.

Quando a sonolência de alma se espalha por todos os lados, todos os homens contentam-se com sonhos infantis e trivialidades vazias. Eles fazem muito barulho e algazarra a respeito de questões de procedimentos e de ordem correta. Mas, eles podem menosprezar as grandes questões da justiça, da misericórdia e da verdade com tanta facilidade quanto os fariseus que coavam “um mosquito” e engoliam “um camelo” (Mt 23.24). O clamor de todos — ou de quase todos — é: “Mais sono”; e ai daquele que tenta despertá-los!

Ninguém que esteja apenas meio acordado precisa de explicações que lhe esclareçam o estado de nossa sociedade moderna. O verdadeiro cristianismo está banido das salas de aula e dos meios de comunicação. O extermínio de crianças abortadas prossegue como um holocausto diário. As autoridades se reúnem para legalizar a quebra do dia de descanso e para legalizar a sodomia. A lepra está irrompendo em todos os membros do corpo político, e não há médico capaz de curá-la. Raramente surge, nas classes elevadas, uma voz que chame os homens ao arrependimento. Esse tipo de voz, quando aparece, não é ouvida, e as pessoas não lhe tributam qualquer atenção. Pobres nações! Infelizmente, uma civilização tão grande quanto a nossa pode se aprofundar tanto em sua sonolência espiritual!

Não é surpreendente que, em nossa época, os verdadeiros crentes sentem-se entorpecidos pela fadiga da batalha. Também não será um grande milagre, se eles, sendo apanhados pelo espírito geral de dormência, forem tentados a se entregarem irresistivelmente ao cochilo, nesta época. Mas isto é exatamente o que temos de nos recusar a fazer, custe o que custar.

De uma maneira ou de outra, os crentes têm de conseguir manterem-se acordados e de pé, nestes dias. Se, para fazer isso, tivéssemos de jogar fora a televisão ou cortar nosso braço direito, seria preferível agirmos assim. Cair no sono, nesta hora, é uma traição para com Cristo e as nossas almas; significa perder nosso “completo galardão” (2 Jo 8) ou, pior ainda, perder nossa recompensa e nossa alma.

O caminho para evitarmos o sono, quando o gás venenoso enche a sala, é correr para o ar fresco e respirar profundamente. Para com Deus e para com a salvação de nossa alma, temos o dever de correr em busca de oxigênio para a alma, na crise presente. O que pode impedir todos nós de uma radical reavaliação de nosso estilo de vida atual?

Ao invés de nos reunirmos simplesmente com objetivos sociais, não poderíamos, como crentes, nos reunir para lermos bons livros uns para os outros. O tempo que regularmente dedicamos a ouvir e assistir tranqüilamente a televisão, não poderíamos dedicar, pelo menos uma parte dele, à oração secreta, ou familiar, ou coletiva? As horas que temos desperdiçado em criticar cruelmente o pregador, poderiam, no futuro, ser melhor utilizadas no estudo diligente de livros que edificam nossa alma. Uma parte das energias que antes gastamos em recreação e sociabilidade excessivas poderia ser gasta mais produtivamente em visitar viúvas em suas aflições (Tg 1.27) e em consolar os abatidos.

Acima de tudo, os pregadores têm de clamar por graça para permanecerem acordados nesta hora. Devem mergulhar suas cabeças nas águas frias da Palavra de Deus, até que seus sonhos de comodidade mundana sejam lançados fora. O mundo nunca precisou tanto de um ministério de despertamento como agora. Nunca houve uma hora tão crucial para galgarmos as alturas e tocarmos altissonante a trombeta do evangelho. Todo o céu está atento, enquanto nos esforçamos para ficar acordados, quando todos os outros dormem. Será lançado como nosso crédito eterno, se nos mantivermos em nosso posto. Mais breve do que pensamos, talvez aconteça a aurora de um dia novo e melhor. O servo vigilante um dia se assentará em honra à mesa de seu Senhor (Lc 12.37).




Fonte: Editora Fiel