13.9.16

Protestantes no deserto (1715-1787) - Na França

Protestantes no deserto (1715-1787)
Raniere Menezes




Quando o Édito de Nantes foi revogado os protestantes da França foram exilados, fugiram ou se retrataram. Mas entre os que se retrataram alguns continuaram a praticar o cristianismo não romanista em segredo. Liam a Bíblia, cantavam salmos e realizavam reuniões secretas. Famílias inteiras cantavam no deserto.

Reuniões clandestinas cheias de vigor e fervor por causa das perseguições católicas. Na clandestinidade essas igrejas formaram uma organização de igrejas reformadas com sínodos por toda França. Havia treinamento de novos pastores e liderança era nomeada e reconhecida pelos sínodos. Essas igrejas cobriam extenso território em segredo. Era um ministério arriscado.

Para a formação de pastores, os huguenotes (calvinistas franceses) fundaram um seminário na Suíça, em Lausanne. A formação era intensiva, no máximo dois anos, os estudos eram financiados por vários países protestantes.

Neste período havia toda uma adaptação da fé protestante na clandestinidade. Bíblias pequenas para esconder mais fácil (até nas roupas das mulheres), cadeiras dobráveis para mudanças rápidas.




Os cultos eram ilegais, mas as assembleias praticavam sua fé em segredo. Igrejas por vezes com 2 mil, 3 mil membros. A noite eles ocupavam bosques, fazendas e lugares remotos. Reuniam todas as classes sociais. Seguiam a liturgia de Genebra, e ouviam longos sermões. Havia batismos e casamentos. As reuniões do deserto geralmente incluíam aulas de catecismo, no entanto o catecismo era praticado mais nas reuniões de famílias. O catecismo era de ortodoxia calvinista. A instrução das crianças era concluída na idade de 15 anos, havia uma profissão de fé nesta idade.



Os sermões se espalhavam através de manuscritos e circulavam cartas pastorais, havia também cópias de orações, livros, indicação de teologia. Havia muito contrabando de livros e pregadores circulavam em segredo. Havia o risco constante de prisão ou morte.

As bíblias e os hinários eram reduzidos em tamanho e também se arrancava as capas dos livros e das bíblias para evitar que alguém reconhecesse os livros proibidos. Móveis eram adaptados para esconderijos os púlpitos eram desmontáveis. As igrejas possuíam grande mobilidade.


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Fonte e imagens:
museeprotestant.org

7.9.16

Calvino contra a Astrologia: Um dos debates quentes do século XVI


Calvino contra a Astrologia: Um dos debates quentes do século XVI
Por Raniere Menezes

A astrologia é uma antiga tradição. Para muitos no século XVI a astrologia era entendida também como um juízo de Deus anunciado pelas estrelas. E é uma das tradições mais antigas da humanidade, e ainda causa de controvérsias e admiração. Há relatos milenares entre os caldeus, egípcios, mesopotâmios e em sociedades mais recentes na linha do tempo da história.

Não confundir astrologia com astronomia. O desenvolvimento da astronomia cientifica contribuiu para enriquecer de informações a astrologia, embora distintas. Depois de Ptolomeu a astronomia se desenvolveu notavelmente dentro do islã (Calvino reconheceu isto). No Renascimento destaca-se o astrônomo Galileu, com o uso do telescópio. A astronomia aproximou-se cada vez mais da matemática, que permitia calcular órbita, distâncias etc. Grandes astrônomos merecem destaque como Copérnico, Brahe, Galileu, Kepler e outros. Astrologia tem a ver com horóscopo, e astronomia é ciência.

Até hoje os noticiários destacam comentários de astrólogos sobre eclipses e passagens de cometas. De fato, corpos celestes são fascinantes. O mapeamento do céu sempre foi usado para reconhecer estações, navegação, marés, tempo de semear, de colher e outras observações. As conjecturas da astrologia relacionam-se e são fortalecidas por histórias mitológicas que enriquecem as imaginações especulativas. O homem tem desejo de conhecer o futuro, prever desastres, epidemias, mortes e outros acontecimentos.

Na França do século XVI as igrejas discutiam sobre a astrologia como hoje discutimos sobre a influência do entretenimento em nossas igrejas. Muitos consideram coisa normal. João Calvino combatia teologicamente qualquer “causa-efeito” relacionado às estrelas do céu. As estrelas não afetam em nada eventos humanos trágicos ou felizes, afirmava. O cotidiano das pessoas não tem nada a ver com astrologia. Teologicamente só se deve reconhecer as predeterminações de Deus em seus Decretos Eternos.

A astrologia não tem nem base cientifica nem teológica, é biblicamente improcedente. No século XVI a astrologia era usada até judicialmente (pasme!), para distinguir o certo do errado, para julgar indivíduos. Em 1548, Calvino fez uma advertência contra a astrologia judicial. O texto de Calvino em Genebra foi publicado pelo editor Jean Girard em 1549 sob o título "Tratado ou advertência contra a astrologia judiciária e outras curiosidades que influenciam o mundo hoje”. Republicado em 1842 para a biblioteca Charles Gosselin, em um volume dedicado às obras de Calvino. Mais recentemente, Olivier Millet editou uma publicação anotada em 1985.

O movimento da Reforma Protestante entrou numa batalha contra a astrologia no século XVI. Neste tempo, em quase todos os círculos sociais, o povo gostava de horóscopo, almanaques, "généthliaques" (espécie de mapa astral, peças escritas para o nascimento de uma criança). Com o advento da impressão em papel, a distribuição de literatura deu mais força a astrologia.

Nesse contexto cultural Calvino usou de toda energia e ironia para escrever seu Tratado contra a astrologia. O povo simples era alvo fácil dos horóscopos, mas também gente letrada e influente. E a igreja sofreu influência desses escritos. Calvino citou a mesma passagem que o Apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas 1.6-7:

Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo.

Calvino comentou que havia uma curiosidade louca de adivinhar o futuro pelas estrelas por parte de seus contemporâneos. E que isso não passava de uma superstição diabólica e perniciosa para a humanidade. E que havia gente com boas intenções quase enfeitiçada.

Ele não condenava a astronomia, pelo contrário, dizia que o conhecimento astronômico deve ser reconhecido, o conhecimento da ordem natural, mas a especulação é condenada. As estrelas podem ser sinais para nos mostrar a estação da sementeira ou plantação, mas é especulação consultar as estrelas para usar um vestido novo, ou fazer negócios num determinado dia e outro não, criticava o teólogo francês.

Calvino reprovava a prática de "généthliaques prédéterministes", um tipo de mapa astral. Ele questionava: “Pessoas que nasceram no mesmo dia teriam a mesma vida? Gêmeos tem o mesmo destino?” Ele chamava os astrólogos de os "fazedores" de horóscopos. Possivelmente o que mais incomodava Calvino é que os astrólogos justificavam o seu determinismo como sendo juízo de Deus. E também, diziam, que havia semelhança da prática deles com a carta do Apocalipse, que contém sinais do céu e profecias futurísticas. Calvino rebatia que profecias não tem relação com as estrelas.

O teólogo argumentava: “Quando José previu a fome do Egito havia alguma relação com as estrelas? Pelo contrário, havia uma revelação miraculosa”. Concluiu que, os egípcios sondavam as estrelas como meio de adivinhação e não sabiam da fome que viria. E Deus advertiu Faraó num sonho e José revelou seu sonho, mas nenhum astrólogo conseguiu prever o futuro. As estrelas não têm domínio sobre nós, sentenciava o reformador. Usou outro exemplo, o de Jeremias. Deus revelou ao profeta Jeremias que não devemos ser como os pagãos, temendo os sinais do céu. Jeremias exortou seu povo a confiar na providência divina e não ser seduzido com as loucuras dos caldeus e egípcios.

João Calvino realçava que o homem carrega todos os males dentro de si. Seus pecados que acendem a ira de Deus, atraindo sobre si guerras, fome, granizo, geada etc....e mais: aqueles que buscam orientação e felicidade através da previsão das estrelas retiram a confiança em Deus. Ao crente cabe descansar no conhecimento e nas mãos de Deus, e será abençoado por ele, servindo-o de boa consciência. Este é o caminho do discernimento e sabedoria apontado pelo teólogo.

Há o exemplo dos Efésios que em Atos é relatado. Aqueles que querem seguir o Evangelho devem queimar seus livros mágicos, mesmo que valham uma fortuna. -- Atos 19.19:

Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinquenta mil peças de prata.

Calvino aconselha em seu Tratado que se mantenha o inestimável tesouro do Evangelho em boa consciência, pois o temor de Deus é sabedoria contra todos os erros. Deus tem nos ensinado como santificar-nos e servi-lo humildemente. Que os letrados se engajem em bons e úteis estudos e não em curiosidades frívolas, que servem apenas para divertir os tolos. O nosso propósito é o temor de Deus.

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Fonte: museeprotestant.org

4.9.16

Pietismo: um coração em chamas


Pietismo: um coração em chamas
Por Raniere Menezes

A origem do pietismo é múltipla, sempre acompanhou a história da Igreja em vários momentos, alguns pesquisadores apontam para os discípulos eremitas da igreja primitiva, ou para os pais no deserto, ou para seitas diversas, para os hussitas, os anabatistas, o puritanismo inglês, o metodismo e alguns luteranos e calvinistas. Enfim, o pietismo permeia todos os séculos.

Segundo o professor Hermisten Maia, "sempre existiram diferentes formas de pietismo no seio da igreja, como manifestações de uma 'posição dialética face ao intelectualismo e ao clericalismo'. essas manifestações podem ser mais ou menos isoladas e individuais, tendo como uma válvula de escape uma religiosidade fortemente mística (Eckhart, Tauler, Kempis, Schwencfeld), ou manifestar-se através de movimentos até certo ponto amorfos, mas que tem em comum o elã vital de buscar a pureza e um contato mais direto com Deus”.

Destaque aqui para o pietismo desenvolvido na Alemanha devastada pela Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Seus fundadores foram luteranos. Após o período de grande produção confessional e estabelecimentos de igrejas nacionais, houve uma onda de debates estéreis e arrefecimento da fé. O pietismo alemão teve como uma das suas características a REAÇÃO contra um cristianismo que se tornara vazio, contra a ortodoxia morta. O alvo do pietismo era o retorno à teologia viva dos apóstolos e das primeiras reformas protestantes.

O século XVII, posterior ao século da Reforma Protestante,  houve um aumento de sentimento pietista. Historicamente reconhecido temos um personagem fundador do pietismo, um pastor luterano chamado Philip Jacob Spener (1635-1705), nascido na Alsácia. Pastor em Frankfurt, ele reunia suas ovelhas para ler a Bíblia, orar e discutir o sermão de domingo. Era um movimento crescente e seus participantes eram cada vez mais numerosos, e essas reuniões aconteciam sem permissão oficial das autoridades.

Philipp-Jakob Spener (1635-1705) 

 Esse movimento desenvolvia uma reação espiritual com base no sacerdócio universal e admoestação fraterna, leitura da bíblia e orações. Este era o programa pietista de Spener. O problema é que eles colocavam a experiência religiosa pessoal como sendo mais importante que sua confissão de fé ou adesão a um credo. Ambas as coisas não deveriam ser excludentes, mas há uma tendência de polaridade em todo contexto histórico da igreja. Este contexto histórico do século XVII forçou essa REAÇÃO pietista, pois a igreja nacional era composta de convertidos e não-convertidos de fato e de verdade. Isto gerou uma confessionalidade vazia. Não que a adesão credal fosse um mal em si, mas quando imposta a uma igreja nacional gerou efeito colateral.

Os pietistas enfatizavam a necessidade de conversão, algo como uma necessidade de sinal visível ou piedade emocional. Semelhante ao que acontece com os pentecostais na exigência ou necessidade do segundo batismo, hoje.

Os pietistas da Alemanha foram logo criticados por Luteranos ortodoxos, e as vezes perseguidos. Com o passar do tempo, ainda no século XVII, houve mais tolerância na Saxônia e Spener foi convidado a ser pastor oficial em Berlim, em 1691. Sua influencia foi reforçada e o movimento estruturado com August-Hermann Francke  (1663-1727), professor luterano na Universidade de Halle. Este movimento gerou a fundação de muitas obras sociais (escolas, orfanatos, seminários para estudantes pobres, edições populares da Bíblia), e assegurou a radiação do pietismo, com a criação das primeiras missões para a Ásia.

August-Hermann Francke  (1663-1727)


Século XVIII - Novo impulso pietista

Um novo movimento foi dado por um nobre saxão, o Conde Nicolas Zinzendorf  (1700-1760). Ele deu apoio religioso a uma irmandade descendente de John Huss, cristãos refugiados da Alemanha. Zinzendorf ofereceu suas terras e deu o nome "Herrnhut" ( "a guarda do Senhor") para a nova comunidade, conhecido na Europa sob o nome de "Irmãos". Eles eram divididos em grupos, e eram dedicados a vários exercícios devocionais.

Nicolas Zinzendorf  (1700-1760)

Esses "Irmãos" geraram o movimento Morávio. A piedade Morávia tinha um caráter alegre, romântico e sentimental, a "religião do coração" centrada na Expiação de Cristo, com um culto que enfatizava o sangue e seus ferimentos, que alguns consideravam mórbido. Após polêmicas e estranhamentos os Morávios estabeleceram sua teologia, para serem "ortodoxo" e aceitável por todas as denominações protestantes. Novas comunidades surgiram na Europa e América, a atividade missionária era muito importante e uma marca notável dos Morávios.

No final do século XVIII, o pietismo alemão teve seu foco na conscientização dos deveres sociais, especialmente no aspecto da educação cultural, provocando uma inovação no fator econômico mais filantrópico. A Diáspora dos Irmãos Moravianos desempenhou um papel importante mesmo na França e outras regiões, como evidenciado por JF Oberlin.

Considerações

O movimento pentecostal que hoje detém o maior número de evangélicos do mundo, tem raízes históricas com o metodismo (espiritualidade e elementos) e pietismo católico afro-americano. A ênfase do movimento é baseada em experiências as quais cada um pode viver o chamado “segundo batismo” ou “batismo com o Espírito Santo”. Vivenciando dons especiais como falar em línguas e outros. Com a grande expansão das igrejas pentecostais no Terceiro Mundo e Europa Oriental o movimento é alvo de interesses ecumênicos e sincréticos. Muitas igrejas pentecostais participam do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Participam também de diálogos com o vaticano, a Aliança Mundial das Igrejas Reformadas e Igrejas Ortodoxas. – É o movimento que mais cresce no Brasil e com seu poderio numérico de adeptos é alvo dos políticos, uma ligação cada vez mais forte e crescente.

As igrejas pentecostais estão na ramificação da tradição protestante evangélica arminiana e alguns princípios da Reforma são seguidos, como a justificação pela fé, salvação pela graça (no entendimento arminiano), autoridade da Bíblia e sacerdócio universal. Muitos seguidores não estão cientes dessa ligação com esses princípios e alguns historiadores consideram o pentecostalismo como outra forma de cristianismo.

Comunidades “carismáticas”, cujo nascimento no final da década de 1970, são movimentos pentecostais. O catolicismo romano foi fortemente envolvido na renovação carismática.

A organização das igrejas pentecostais se assemelha ao das igrejas batistas e congregacionais, esse tipo de organização dar mais autoridade e independência as igrejas locais e oferece mais liberdade de expressão segundo os dons de cada um, como afirmam e praticam.

Ao longo do tempo, principalmente nas ultimas décadas, muitos pentecostais sentem a necessidade de se reconectar as suas raízes da herança protestante, o debate está aberto e causa muita polemica e migrações. Na base da disputa está o calvinismo vs arminianismo, entre outros temas.

Sociologicamente o desenvolvimento das igrejas pentecostais coincidiu com movimentos da população das zonas rurais para as zonas urbanas, populações afluentes e separadas de suas raízes culturais e suas práticas religiosas tradicionais. Isso justifica algumas de suas práticas culturais, a exemplo de seus cultos fervorosos e musicalidade mais popular e alegre.

A associação com o pietismo em grande parte se dá através da prática da COMUNICAÇÃO ORAL dessas igrejas, deixando de lado o intelectualismo das igrejas protestantes. Comunidades pentecostais fornecem orientação espiritual com bases em experiências revelacionais às outras pessoas.

A formação teológica dos pastores pentecostais, geralmente considerada insuficiente, justifica a desconfiança de igrejas históricas para com o pentecostalismo. Mas esta situação tem mudado gradativamente e é cada vez mais comum ver pentecostais buscando aprimoramento teológico, acadêmico e editorial.

Outra associação do pentecostalismo com o pietismo é o proselitismo forte através do evangelismo que insiste que esta marca de "piedade" faz com que os próprios pentecostais acreditem que cristãos não-pentecostais não são cristãos verdadeiros. Enquanto muitos cristãos tradicionais consideram os pentecostais como seita.

Para onde irá o pentecostalismo? Irão se aproximar mais das igrejas protestantes históricas? Ou serão fragmentados por novos movimentos carismáticos e pietistas? O futuro do movimento pentecostal está aberto.

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Fonte:

Imagem: Philipp-Jakob Spener (1635-1705) © Fondation St Thomas Strasbourg
BRANDT-Bessire Daniel, as fontes da espiritualidade Pentecostal , Labor et Fides, Paris, 1994
Harvey Cox, de volta a Deus - Viagens Pentecostal país Descle de Brouwer, Paris, 1994
registros relacionados
http://www.museeprotestant.org/notice/le-pietisme/
http://collections.lstc.edu/theologians/pietists/
http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/VOLUME_IV__1999__1/Hermisten.pdf




28.8.16

Brasões do Pacto da Graça

Brasões do Pacto da Graça

A História da Redenção contada através da doutrina do Pacto.

Por toda Escritura o Pacto da Graça se desenrola através de várias administrações, de Adão até Jesus Cristo, passando por Noé, Abraão, Moisés e Davi. É uma linha dourada criada pelo Soberano Deus e revelada ao homem.

Aliança com Adão - símbolo do Jardim do Éden, conhecido como "pacto de obras". No brasão há a árvore da vida, um rio e o sol.


Proto-evangelho. -- Após a Queda, com a entrada do pecado na história, Deus promete o Redentor. Genesis 3.15. Representando o Messias como um leão triunfante (Cristo, o Leão de Judá) esmagando a cabeça da serpente, note no brasão a árvore da vida. A vida eterna com Deus é possível por causa do Leão vitorioso.


Aliança com Noé. A pomba com o ramo de oliveira representa paz, vida e o fim do julgamento. O arco-íris é uma promessa da graça de Deus, Gênesis 9. Na história da arca podemos ver a história da Redenção, a salvação da Ira de Deus.


Aliança com Abraão. Gênesis 15. Deus promete a Abraão um filho e descendentes tão numerosos quanto as estrelas. O símbolo é uma tocha e um altar com fumegante que representam Deus, sua fidelidade em manter o pacto, apontando para o sacrifício.



Aliança com Moisés. No símbolo o Monte Sinai, uma fumaça ou névoa que simboliza a presença de Deus, do grande  “Eu Sou”.  Êxodo 19.16. As duas tábuas da lei aparecem na cena.


Aliança com Davi. A promessa de um trono para sempre. 2 Sm 7.12. Promessa cumprida em Cristo, da casa e família de Davi. O Redentor é um Rei cujo reino é eterno.


Nova Aliança. Símbolo do Cordeiro vitorioso. João 1.29. Esta aliança encontrou consumação na morte, ressurreição e ascensão de Cristo. O Cordeiro vitorioso venceu o pecado, a morte através do seu próprio sangue derramado. A bandeira é a cruz, o circulo por traz de sua cabeça é um halo indicando sua divindade.


Consumação do pacto. Este símbolo descreve a Redenção, representa a Nova Jerusalém, o destino prometido ao povo de Deus. Ap 22.1-8. Representa a consumação do plano de Deus para seu povo. Ap 21.3. Note símbolos dos primeiros elementos dos primeiros símbolos, ramos da árvore da vida, rio, sol. A ênfase é a cidade de Deus gloriosa. É o cumprimento final de todas as promessas do pacto da graça, é a esperança do seu povo, herança eterna.


Símbolos da Eternidade de Deus: o Alfa e o Ômega. A primeira e última letra do alfabeto grego. Simboliza toda história da Redenção. Ap 22.13. Em Cristo todas as promessas são cumpridas. 2 Co 1.20.



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Os símbolos da aliança foram criados por J. Wippell & Co. Ltd.

Fonte: 2pc.org

21.8.16

OVELHAS NO MATADOURO - Dia 24 de agosto de 1572 – Massacre da Noite de São Bartolomeu


Esta data é uma das mais marcantes e dramáticas da história das guerras religiosas do século 16. Este dia ficou conhecido como o massacre da noite de São Bartolomeu, com pelo menos 10 mil mortes por várias cidades francesas, pois o evento de matança se estendeu por dias. Quem quiser estudar este caso mais a fundo necessitará estudar sobre os eventos das guerras de religião do século 16. Havia uma grande tensão entre católicos e protestantes. E nesta tensão europeia existiam tentativas constantes de reconciliações, alianças e oposições. Alguns países da Europa eram mais protestantes, outros mais católicos e ainda outros divididos. Uma reconciliação nacional era algo muito difícil de realizar nesse contexto. Essas tentativas de reconciliação nacional provocavam forte oposição entre católicos mais radicais e protestantes. Um casamento entre nobres poderia trazer uma reconciliação, poderia...



A rainha-mãe Catarina de Médici, supostamente na esperança de selar a reconciliação nacional francesa, incentivou o casamento de Henrique de Navarra, futuro Henrique IV, protestante, com Marguerite de Valois (Rainha Margot), católica irmã de Carlos IX. Este casamento em 18 de agosto de 1572 causou a chegada a Paris de muitos protestantes nobres seguindo o rei de Navarra. E este aglomerado de convidados protestantes em Paris foi uma ocasião propícia para degenerar em um massacre geral. Carlos IX, empurrado por Guise, autoriza o assassinato de líderes protestantes. Três dias de matança generalizada na França. Os católicos usavam uma cruz branca em seus chapéus e atacavam os protestantes (Todo católico durante a matança deveria amarrar uma tira de linho branco no braço e usar uma cruz branca no chapéu). Só em Paris o número de vítima girou em torno de 4 mil. Em 26 de agosto, o rei foi ao parlamento e assumiu a responsabilidade pelo massacre.



Papa Gregório XIII recebeu a notícia com entusiasmo: ele fez para o povo uma medalha comemorativa, em ações de graças.



Na noite de 23 a 24 de agosto, um conselho real se reúne, durante a qual foi decidido para assassinar o Almirante Gaspar de Coligny e um número de líderes huguenotes. O sino da igreja de Saint Germain l'Auxerrois soa o alarme para começar a matança. O Almirante de Coligny, líder calvinista francês (huguenotes), o mesmo que foi responsável por tentar implantar uma colônia francesa no Rio de Janeiro em 1555, foi brutalmente assassinado em sua casa, enquanto muitos cavalheiros huguenotes foram massacrados no Museu do Louvre e na cidade, sem possibilidade de defesa, “mortos como ovelhas no matadouro”, como escreveu Theodore Beza.

Fonte:
http://www.museeprotestant.org/notice/la-saint-barthelemy-24-aout-1572/


Para quem tem interesse histórico:

Livro clássico, romance, "Rainha Margot" (1909) de Camille de Morlhon, adaptação do romance de Alexandre Dumas.




CINEMA E HISTÓRIA

FILME: "Intolerância" (1916) de DW Griffith. Um dos maiores cineastas americanos retrata bem o massacre. Fotografia bela arte.



FILME: "Rainha Margot" (1954) de Jean Dréville. As intrigas da corte em torno do massacre de massacre do dia de São Bartolomeu, em agosto de 1572. Adaptação livre do famoso romance. Cenário de Abel Gance. Nesta versão o rei Carlos IX planeja o assassinato de Coligny, enquanto Catarina de Medici planeja o massacre.



FILME: "Rainha Margot" (1994) de Patrice Chéreau. Retrata Paris alguns dias antes do casamento, que tenta reconciliar os católicos e os protestantes. Trama de ódios, escândalos e intrigas, eventualmente, acontece o massacre sem precedentes. Margot tenta salvar seu noivo protestante. Bela fotografia, destaque para um poderoso realismo na reconstrução, que peca em alguns detalhes. Por exemplo, o futuro rei Henrique IV era conhecido por sua coragem, enquanto no filme ele é um covarde. Durante o casamento o casal tinha 19 anos, portanto, é necessário desconsiderar a aparência física dos atores. Fotografia nota 10.







FILME: “Henri IV" (2010) de Jo Baier . A vida de Henrique de Navarro, futuro Henrique IV. Trata-se de um filme para a televisão, um roteiro de 2h35min. Fotografia bem cuidada.



FILME: "A princesa de Montpensier" (2010) de Bertrand Tavernier. Retrata o ódio das guerras de religião. Marie de Mézière ama Henri de Guise, mas logo é prometida ao príncipe de Montpensier. Seu marido chamado para a guerra, ela permanece no castelo do conde de Chabannes, seu tutor. É uma magnífica adaptação da peça “A Senhora de Fayette”. A ligação com o massacre está no final, uma das cenas retrata a morte do conde de Chabannes durante massacre do dia do St Bartholomew.
Fonte: Reverso/cinema e história.





13.8.16

Porque sou um mau presbiteriano: O cisco e a trave no olho


Porque sou um mau presbiteriano: O cisco e a trave no olho

Eu não sou quem eu gostaria de ser;
eu não sou quem eu poderia ser, ainda,
eu não sou quem eu deveria ser. Mas graças a Deus
eu não sou mais quem eu era!
(Atribuído) Martin Luther King

Faça a pergunta certa

Não vou começar o texto citando um teólogo, citarei um político que disse: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”. Esta frase foi pronunciada por John F. Kennedy, presidente dos EUA. Fazendo uma adaptação, pergunte-se: “Não pergunte o que a minha igreja pode fazer por mim, mas o que posso fazer por ela?” Ou ainda, “o que posso fazer por mim mesmo para me tornar um cristão melhor?”.

Não raras vezes sabemos mais criticar uma igreja ou sua liderança e não temos o menor trabalho de fazer uma autocrítica construtiva e realística sobre si mesmo. A velha história do “cisco e a trave” da passagem do Novo Testamento em Mateus 7. A analogia utilizada aqui é: “quem julga vê um pequeno objeto nos olhos de outrem quando tem uma grande trave de madeira no próprio olho”. É muito mais fácil apontar os erros dos outros.

A igreja é uma sociedade de pessoas, e onde há gente há problemas. E por ser uma sociedade cada membro possui características individuais, somente suas, que o diferencia dos outros membros. Cada membro tem sua história, cada um tem sua personalidade, inteligência, sentimentos, talentos etc. E nesta mistura de gente, muitos acham mais fácil apontar os erros dos outros e não enxergar os próprios erros. O simples ato de jogar papel no chão na rua ou usar um celular enquanto dirige já me coloca como um mau cidadão. Quantas vezes desrespeitei o direito do meu próximo no trânsito da cidade ou numa fila de banco? Quantas vezes enganei, menti e prejudiquei alguém na família, no trabalho, na escola, na igreja, pelas Redes Sociais? Ok, tudo bem, não vivo subornando e sonegando impostos, não mato, não roubo! O que um mau cidadão tem a ver com a igreja?


Mea culpa

Viver somente a criticar a igreja a qual faz parte é ser como um típico cidadão que faz parte de uma sociedade, em parte corrupta, sendo participante de algum aspecto dessa corrupção, e ainda vive reclamando da corrupção. É o clássico problema da vitimização e egoísmo. Assim como o cidadão-eleitor vocifera contra os políticos que ele mesmo elege e esquece de que muitas vezes ele mesmo é um transgressor da lei. A igreja muitas vezes se encontra em situação deplorável e decadente, e não conseguimos detectar nossa parcela de culpa.


Tu és!

Deus permita que levante profetas como Natã para nos revelar os nossos pecados ocultos, como fez com Davi. -- O texto de 2 Samuel 11.26-27 e 12.1-15 . – “Tu és o homem!”, Davi quebrou todos os mandamentos possíveis, com um agravante, não confessou seus pecados e nem se arrependeu por um tempo. O contexto revela o pecado oculto de Davi. Muitas vezes estamos como Davi, cegos em transgressão. Seja como cidadão da terra ou do céu!

Como igreja devemos nos perguntar quais são nossos pecados ocultos e orar para que Deus nos revele. Você já se perguntou, quantas vezes já deixou de orar pelo ministério do seu pastor e liderança? Quantas vezes oramos pelos membros afastados da igreja ou pelo menos nos preocupamos em fazer um contato com esses irmãos?

Quantas vezes nas Redes Sociais somos arrogantes e pavio curto? Quando deveríamos ser pacientes, pedir sabedoria e buscar a paz. Quais são os dons que Deus me deu e não estou usando nem honrando a sua glória?

Quantas vezes por causa de algum ministério ou talento nos sentimos como superiores aos outros, cheio de vaidade? Enquanto a Palavra ensina: Pois, quem torna você diferente de qualquer outra pessoa? O que você tem que não tenha recebido? E se o recebeu, por que se orgulha, como se assim não fosse? 1 Coríntios 4:7 (NVI).

Somos peritos em falar mais em direitos, sempre queremos adquirir, ganhar, receber. Mas irmão, irmã, nosso coração está onde está nosso tesouro. – “Pois onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração". Lucas 12:34.


Meus direitos

Alguém já disse politicamente que somos uma sociedade fraca, queremos só os direitos e muita liberdade, mas deixamos de lado a responsabilidade e deveres. Na igreja somos também esse mau cidadão, queremos as bênçãos, mas não a santificação, a cruz. A igreja vai mal? Em grande parte somos todos cúmplices dessa situação. A missão dada a igreja envolve uma grande responsabilidade, aí de mim se não pregar o Evangelho! Mas mesmo com tantas oportunidades de compartilhar do Evangelho, me calo, silencio, fico omisso. Meu comodismo em missões e evangelização me torna um mau presbiteriano.

O que dizer da minha fraca comunhão? Encontro muito pouco meus irmãos e quando os encontro parecemos caçadores de algo para criticar. Muitas vezes gostamos de encobrir uma verdade, mentir, omitir, caluniar, como lavar as próprias manchas nas manchas do próximo. Isto não é comunhão! Um conselho para mim mesmo: reflita sobre si!


A serpente a pomba

A Palavra de Deus nos ensina a ter a astúcia da serpente e a simplicidade da pomba, mas muitas vezes somos só serpentes. Quem dera saibamos usar a sagacidade da serpente para escapar das armadilhas que colocamos para nós mesmo! Sejamos uma mistura de serpente e de pomba. Sejamos reflexivos dos próprios erros.


Herança, tesouro, legado

Como posso ser um presbiteriano melhor? Reconheço que nem todo presbiteriano é familiarizado com o conteúdo de sua confissão de fé, mas todos deveriam pelo menos reconhecer a importância da história da sua igreja. Muitos tiveram um contato mínimo com os símbolos de fé e história da igreja. Simplesmente vivem como ignorantes da herança protestante, dos tesouros doutrinários e legado histórico. Se você acha isso sem importância melhor seria que deixasse a igreja.

O que podemos fazer para melhorar esse quadro e oferecer a futura geração dos filhos da aliança uma igreja melhor? Devemos, HOJE, abraçar, amar, cuidar, estudar, ensinar e interpretar nossa herança reformada! Não há outro caminho! Necessitamos transmitir os ensinamentos confessionais de geração em geração.

O mesmo Jesus que disse "vai a tua fé te salvou" é o mesmo que diz para amar a doutrina e defender ou morrer por ela. A igreja é um lugar para pecadores, mas não para continuarem sem arrependimento e mudança de vida. Qual a sociedade que não há leis e princípios a seguir? Muito mais a sociedade projetada por Deus, que é a Igreja.


Construa cercas

Muitas igrejas presbiterianas não ligam muito para preservar e transmitir essa herança, mas ao invés de criticar e não fazer nada, senão murmurar, devemos construir cercas em torno delas. Cercas? Não seriam pontes? Não! Devemos construir cercas. Como se preserva uma plantação? Como se preserva uma mensagem? Como salvaguardar os ensinamentos? Como preservar na prática?


Símbolos de fé VIVOS

Um bom começo de nossa caminhada é seguir os símbolos de fé, examinar seus ensinos, ir às raízes, e de tanto analisar torná-los vivos, atraentes e pertinentes à vida cristã. Existe um conceito óbvio, básico, na agricultura que é aplicável ao estudante: quando a gente cava mais fundo a terra encontramos o final das raízes. Dentro da linha do tempo da história da igreja encontraremos comentários raros, clássicos, credos e confissões. Você pode está se perguntando: E a Bíblia? Somente ela não basta? O que posso lhe responder é que assim como um embrião é a essência de um ser humano, os credos e confissões derivam das Escrituras, enaltecem-na e não a anulam. Precisamos de aprimoramento e aperfeiçoamento, e a chave para a sobrevivência presbiteriana é voltar aos princípios. Falando em Bíblia, você já leu toda a Bíblia? Você se compromete em continuamente estudar a Escritura Sagrada? Percebe a trave no olho? Defendemos a Bíblia, menosprezamos o árduo trabalho das gerações passadas, mas não lemos a Bíblia continuamente.

Você como presbiteriano conhece os Padrões de Westminster (Confissão de Fé e Catecismos de Westminster)? Você se compromete de continuamente ler literatura de fé reformada para o seu amadurecimento cristão? Você se compromete em abandonar toda crença e prática que contrarie o claro ensino da Escritura Sagrada? Quantos livros doutrinários você leu desde a sua conversão?

Por que precisamos enfatizar a importância dos credos e confissões? Uma das respostas é que a Bíblia não segue uma cronologia exata. As mais excelentes confissões de fé reformada são um resumo de séculos de estudos e defesa da fé, elas nos entregam os ensinos mastigados. E também porque elas falam na linguagem humana e é possível extrair delas análise metódica, comentários aprofundados, tendo a Bíblia como o texto mestre. Os mais excelentes credos e confissões tradicionalmente usados através dos séculos já fizeram o trabalho de abrir as rodovias para andarmos. Nossa fé tem raízes, cave e encontre-a. A fé histórica nos une as muitas gerações anteriores. Nossa identidade está aí. Uma confissão bem fundamentada e sólida é como a pele para o nosso corpo, ela nos protege de invasores infecciosos, sem ela seríamos criaturas monstruosas com a carne exposta.



Perguntas fundamentais

Muitas perguntas aqui já foram formuladas por pastores presbiterianos, e o que se apresenta é extraído de boas perguntas de um artigo* publicado na página Bereianos.

Você como presbiteriano sabe como e porque a nossa igreja se organiza como igreja, o que você sabe sobre os presbíteros além de saber que eles sentam numas cadeiras bonitas? O que você sabe sobre governo eclesiástico? Será o sistema presbiteriano bíblico? Quando somos rebeldes a disciplina, a exortação e ao governo dos presbíteros o que estamos fazendo realmente? O dizimo é bíblico? Como a igreja se sustenta? São muitas perguntas importantes que são derivadas de uma boa compreensão de um sistema de doutrinas.

Ser apenas um presbiteriano no rol de membros não faz de você um presbiteriano de fato, assim como dormir numa garagem não fará de você um carro. Não despreze as raízes, são elas que trarão seu alimento.



Comprometimento e envolvimento

Qual seu comprometimento com o crescimento da igreja? Como você se compromete com os trabalhos da igreja? Você está envolvido ou comprometido com a igreja? Já ouviu a estorinha do boi e da galinha no almoço, nesta questão de envolvimento e comprometimento? É mais ou menos assim: a galinha fornece o ovo e o boi se compromete até o pescoço, literalmente. O boi se compromete dando sua vida para o almoço, a galinha apenas se envolve fornecendo seus ovos.

Você está convencido de que diariamente deve separar um tempo para orar e meditar na Palavra de Deus? Você está ciente da necessidade de realizar o culto doméstico com regularidade? Você tem ideia do que seja princípio regulador do culto?  Você crê ser necessário guardar diligentemente o Dia do Senhor? Você se compromete em não deixar de congregar nas reuniões e nos cultos públicos? Você entende que o culto solene não deve ter danças, coreografias e teatro? Você entende que é desprezível o uso de imagens, quer pinturas ou esculturas, no culto ao Senhor?

Como você se comporta em casa, na rua, no trabalho ou em outras atividades comuns? Como um cristão em todos os lugares? Os seus amigos e conhecidos sabem que você é um cristão? Você se COMPROMETE, se necessário, abrir as portas de sua casa para a implantação de uma nova congregação? Você ora para que Deus te dê discernimento de que pessoas Ele quer que você evangelize? Você está comprometido com a grande comissão de Cristo: fazer discípulos? Você está decidido a viver o evangelho em suas conversações, pensamentos e atitudes? Você está disposto a auxiliar os pobres e necessitados, com discernimento, quando for possível e realmente necessário? Você sabe que deve usar com moderação e sem desperdício os bens e o sustento que Deus te dá, de modo a não se tornar inadimplente? Você entende que a sua roupa não pode associá-lo ao desequilíbrio, falta de modéstia, ou a sensualidade, de modo a provocar desejos lascivos, ou escandalizando o próximo?

Há muitas outras questões que envolvem sua conversão, sua vida cristã, questões familiares, testemunhos públicos, questões de culto e doutrinas, e toda sua vida. Mas é suficiente apenas questionar algumas para expor nossa fragilidade.



 Impotência da comunidade cristã

Rousas John Rushdoony em 1997 já dizia: "Um fato terrível que nos ameaça hoje é a impotência da comunidade cristã. Mais da metade das pessoas nos Estados Unidos maiores de 18 anos confessam crer em Jesus Cristo como Deus encarnado, e na Bíblia como a Palavra infalível de Deus. Se essas pessoas fossem apenas ¼ da população, elas ainda deveriam dominar a cultura, quando na realidade é marginal. "



 Vamos olhar para o nosso umbigo

“A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) é uma federação de igrejas que têm em comum uma história, uma forma de governo, uma teologia, bem como um padrão de culto e de vida comunitária. Historicamente, a IPB pertence à família das igrejas reformadas ao redor do mundo, tendo surgido no Brasil em 1859, como fruto do trabalho missionário da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. Suas origens mais remotas encontram-se nas reformas protestantes suíça e escocesa, no século 16, lideradas por personagens como Ulrico Zuínglio, João Calvino e João Knox. O nome “igreja presbiteriana” vem da maneira como a igreja é administrada, ou seja, através de “presbíteros” eleitos democraticamente pelas comunidades locais. Essas comunidades são governadas por um “conselho” de presbíteros e estes oficiais também integram os concílios superiores da igreja, que são os presbitérios, os sínodos e o Supremo Concílio. Os presbíteros são de dois tipos: regentes (que governam) e docentes (que ensinam); estes últimos são os pastores. Em 2005, a Igreja Presbiteriana do Brasil tinha aproximadamente 4.800 igrejas locais e congregações, 263 presbitérios, 64 sínodos, 3.800 pastores, 415.500 membros comungantes e 125.000 membros não-comungantes (menores), estando presente em todos os estados da federação”. -- O que é a Igreja Presbiteriana do Brasil? Por Alderi Souza de Matos, historiador da IPB.

Meio milhão de presbiterianos. Quantos estão comprometidos e não simplesmente envolvidos com essa herança reformada? Podemos no mínimo sentir vergonha e tristeza de não conhecermos mais seus ensinamentos e história, mas isso não deve ser motivo para desespero.



 Faça algo corajoso

Temos que exercer um ESFORÇO consciente para impedir que a riqueza doutrinária da igreja se torne obsoleta ou irrelevante. Para isto se faz necessário estudar mais, analisar e investigar mais as boas literaturas e os mais excelentes comentários teológicos da herança reformada e PRODUZIR, REPLICAR, ENSINAR, TRANSMITIR. É assim que o povo judeu faz com a Torá para preservar suas raízes. Não há atalho, dedique-se ao estudo para investigar e ensinar suas doutrinas. Não é preciso ser um especialista para começar. Somos porta-vozes. Há muitas veredas já rastreadas e não precisamos criar novas trilhas, é mais seguro andar em caminhos já marcados. E nossos pais na fé já fizeram isso, sigamos suas pegadas. Mas é preciso esforço, ação. Como os antigos reformadores diziam: Façam algo corajoso por amor a Deus! Faça algo corajoso, não espere pelos outros! Quem desiste da verdade nunca a amou! Pare de caçar os erros de sua igreja, faça algo construtivo e edificante, sem espírito de rancor ou vingança. Faça para a glória de Deus. Peça a Deus orientação, sabedoria e ação. Faça! Se ninguém mais fizer, faça só.


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Texto: Raniere Menezes/Frases Protestantes (texto sem revisão)

*Artigo: Por que devemos ser zelosos no exame de candidatos a membros? -- Autor: Rev. Ewerton B. Tokashiki  - Fonte: Estudantes de Teologia – Link: http://bereianos.blogspot.com.br/2016/01/por-que-devemos-ser-zelosos-no-exame-de_20.html

Imagem do título: O Cisco e a Trave 1619. Por Domenico Fetti, atualmente no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque.

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